segunda-feira, outubro 13, 2008

Leituras em Moçambique

De Fevereiro a Junho os livros não puderam deixar de me acompanhar.

Fevereiro:

A filha da fortuna - Isabel Allende
Capitães da areia - Jorge Amado
Cem anos de solidão - Gabriel García Marquez
Fio de missangas - Mia Couto

Março:

O País do Queixa andar - Mia Couto
O jovem Persa - Mary Renault
Lucy Crown - Irwin Shaw
A sombra dos dias - Guilherme de Melo
A vida verdadeira de Domingos Xavier - José Luandino Vieira
O mundo em que vivi - Ilse Losa
Os cus de Judas - António Lobo Antunes
Balada de amor ao vento - Paulina Chiziane

Abril:

Rio sem ponte - Ilse Losa
Contos e lendas - Carneiro Gonçalves
Na berma de nenhuma estrada - Mia Couto
Manhã submersa - Vergílio Ferreira
Terra sonâmbula - Mia Couto
Menos que zero - Bret Easton Ellis

Maio:

As aranhas douradas - Rex Stout
Vozes anoitecidas - Mia Couto
Eternidade - Ferreira de Castro
O rio, estórias de regresso - Arlindo Barreiros
Fábulas de Sanji - António Jacinto

Junho:

Nus e Suplicantes - Urbano Tavares Rodrigues
A relíquia - Eça de Queirós
Erro judicial - Jeffrey Archer
Venenos de Deus, remédios do Diabo - Mia Couto

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terça-feira, dezembro 11, 2007


A catedral verde

Autor - João Aguiar







Sinopse:
Fantasmas do passado e do presente empenham-se em inquietá-lo: a entrega de Macau, o limiar do novo milénio, a sua crescente inadequação ao mundo que o cerca são outros tantos factores de perturbação e desassossego. Ainda por cima, deparam-se-lhe alguns factos inquietantes: dois casos de amor "maldito", a procura de um velho diário, uma pista que poderá conduzir a uma descoberta histórica interessante. Afinal, Adriano Carreira dificilmente encontrará a paz com que sonhava...


A Rainha estrangulada
(Os reis malditos, volume 2)
Autor: Maurice Druon







Sinopse:
Quando em 1314, Filipe IV manda queimar em praça pública Jacques de Molay, Grão-Mestre dos Templários, este lança uma maldição sobre o rei e os seus descendentes. "A Rainha Estrangulada" começa exactamente com a morte de Filipe IV e com a ascensão ao poder do seu filho, Luís X. Rodeiam-no Carlos de Valois, seu tio, que o considera um fraco e planeia usurpar-lhe o poder, e Enguerrand de Marigny, um ambicioso conselheiro real. Nos calabouços vive ainda a sua mulher, Margarida de Borgonha.

Comentário:
"A catedral verde" encerra a trilogia composta por "Os comedores de pérolas" e "O Dragão de fumo". Enquanto os dois primeiros eram passados em Macau, no último livro, Adriano Carreira encontra-se em Vale de Monges, numa casa herdada por uma tia, numa procura do Graal pessoal. Nesta procura, Adriano envolve-se em algumas peripécias que resultam numa contemplação de mistérios e numa reflexão pessoal. E, de facto, este último livro envolve uma busca interior, mais afastado das aventuras inesgotáveis e imparáveis de Adriano, sendo muito mais reflexivo. Mas no final surge uma possibilidade de continuação, porque a personagem o permite, sempre ávido de novas aventuras, embora, aparentemente, mais calmo.
"A rainha estrangulada" é o segundo volume da colecção "Os Reis malditos", iniciada com "O Rei de ferro". Se no primeiro volume temos o reinado de Filipe IV, o Belo, e a condenação do grão-mestre dos Templários, com a respectiva maldição lançada, no segundo temos já Luís X, o Teimoso, que sobe ao trono depois da morte do pai, e os problemas que envolvem a sua desejada separação de Margarida de Borgonha, presa após o adultério. Escrito de forma clara, "A rainha estrangulada" cumpre o seu papel e deixa a vontade de permanecer na leitura dos restantes volumes.

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sábado, dezembro 01, 2007



O Dragão de fumo - João Aguiar

Sinopse:
Retirado na sua casa de Vale de Monges, que herdou recentemente e de que fez o seu refúgio, Adriano entrega-se ao prazer simples de desvendar um pequeno segredo local e familar, quando, inesperadamente, recebe um apelo de Rita, a filha mais velha, que, tal como ele próprio anos atrás, partiu para Macau na esperança de se refazer de um divórcio que a deixou traumatizada.
Adriano acorre em auxílio da filha, o que é também um pretexto para visitar as suas memórias. Porém, Macau é um "dragão de fumo", uma realidade em constante mutação, e o passado não pode ser revivido. Em compensação, o presente reserva uma experiência nova e inquietante a este homem que, sentindo-se a envelhecer, procurava acima de tudo adaptar-se ao advento da terceira e última idade.

Comentário:
Começando em "Os comedores de pérolas", João Aguiar dá continuidade à história de Adriano Carreira e ao seu percurso por Macau. Personagem caricata e irónica Adriano regressa agora a Macau a pedido da filha e embarca em novas aventuras de nos prender à leitura.
Novamente uma intriga curiosa e leve ao bom estilo de João Aguiar.

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sexta-feira, novembro 16, 2007

Últimas leituras


O Último Távora - José Norton









Sinopse:
Quando os avós de Pedro de Almeida Portugal, os marqueses de Távora, subiram ao cadafalso de Belém, ele era ainda um menino. Durante dezoito anos ficou longe da família. Mas, na sombra, um homem poderoso velava pela sua educação, Sebastião José de Carvalho e Melo, futuro marquês de Pombal, ironicamente o carrasco que tinha perseguido a sua família.
Foi sob o signo de todas estas contradições que começou a vida do futuro 3.º marquês de Alorna! Prisioneiro também ele do nome Távora e da sua condição aristocrática, protagonizou os episódios políticos mais marcantes do seu tempo, nomeadamente a fuga da corte para o Brasil e as Invasões Francesas.


O Profeta - Khalil Gibran








Sinopse:
Publicada pela primeira vez em 1923, esta prosa poética trata de temas ligados ao misticismo. Um profeta despede-se do povo de Orphalese após doze anos de convivência e, antes da partida, compartilha a sua sabedoria, tratando de temas como o amor, a liberdade e a morte.

Comentário:

"O último Távora" é uma obra de grande interesse cultural e histórico. De leitura agradável e extremamente cativante, o livro mostra-nos o percurso de Dom Pedro de Almeida Portugal, 3.º Marquês de Alorna, 6.º Conde de Assumar.
O marquês de Alorna foi retirado à família em consequência do atentado à vida do Rei D. José, em 1758, que causou o famoso processo dos Távora. No entanto, acompanhando o seu percurso vamos conhecendo não só o processo da sua família, mas também o papel do Marquês de Pombal e a sua respectiva política, assim como as guerras napoleónicas, onde o Marquês participou, apoiando a aliança francesa.
Leitura recomendável!!!

"O profeta" foi iniciado pelo autor aos 15 anos, escrito e destruído três vezes até ser publicado.
Em forma de ensinamentos o profeta dirige-se à multidão abordando e orientando temas como a razão, a paixão, a amizade, o tempo, o crime e o castigo entre outros.

"Quando o amor vos chamar, segui-o, mesmo que os seus caminhos sejam íngremes e penosos. E quando as suas asas vos envolverem, entregai-vos a ele, ainda que a espada dissimulada nas suas penas vos possa ferir. E quando ele vos falar, crede nele, embora a sua voz possa estilhaçar os vossos sonhos como o vento do norte devasta o jardim." in O Profeta

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sábado, novembro 03, 2007

Livros à mão?!














Aceitando o desafio do meu amigo Zé
  • PostScriptum

  • aqui segue a lista:

    Amo-te - Francesco Alberoni (Bertrand Editora)
    "Como na guerra, em que ambos os contendores se esquecem das coisas que os uniram e recordam apenas as discórdias, as culpas, as injustiças sofridas, para alimentar o desejo de luta."

    Jean Christophe (Vol. 1)- Romain Rolland (Edição Livros do Brasil)
    "Como é naturalmente insubordinado, sente ainda maior gosto por aquelas harmonias e acordes e o seu prazer está em encontrar exemplos nos grandes músicos que são admirados e de levá-los ao avô ou ao mestre."

    Estatuto e perspectivas do narrador na ficção de Eça de Queirós - Carlos Reis (Livraria Almedina)
    "Finalmente, ao lermos que "com o beiço trombudo, (Dâmaso) ficou mamando gravemente a boquilha", verificamos que o doador da narrativa, não se satisfazendo em depreciar o carácter da personagem, projecta ainda a sua subjectividade sobre a configuração física que assim é animalizada."

    O Conhecimento da Literatura - Carlos Reis (Almedina)
    "O que, de um certo ponto de vista e conforme antes ficou sugerido, corresponde exactamente a fazer do discurso literário a emanação de uma formação discursiva altamente coesa, selectiva e dificilmente penetrável (ou até impenetrável) pelos não-iniciados."

    O último Távora - José Norton (Publicações D. Quixote)
    "Não foi contudo suficiente para ficar optimista quanto ao seu próximo regresso: "O príncipe diz-me sempre muitos louvores de ti, não sei se é de coração ou se isto procede de uma certa debilidade que o obriga a lisonjear a pessoa com quem fala."

    Parece que as regras foram ligeiramente alteradas, e actualmente o desafio consiste em escolher 5 livros aleatoriamente, abri-los na página 161 e transcrever a 5ª linha completa de cada um.
    Assim sendo passo o desafio para:

  • A minha borboleta

  • Eu e o território

  • Sempre nas nuvens

  • Sinapses

  • Sopros da mente
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    sábado, outubro 27, 2007

    Cagliostro


    O último alquimista - Conde Cagliostro, o mestre da Magia na Idade da Razão
    Autor: Iain McCalman







    SINOPSE: "Eternizado em óperas, romances, filmes, canções e bandas desenhadas, Giuseppe Balsamo, o conde Cagliostro, é uma das personalidades mais fascinantes de todos os tempos. Nascido em 1743, na Sicília, conseguiu enganar ou fascinar grande parte dos mais poderosos nobres, dos maiores sacerdotes e dos principais pensadores da Europa do século XVIII. O último alquimista, de Iain McCalman, é uma biografia que explica o porquê de Cagliostro despertar o encantamento e o desprezo da humanidade há 250 anos."


    Comentário:
    Obra muito interessante que nos dá a conhecer o percurso longo e atribulado de Giuseppe Balsamo, o Conde Cagliostro, desejado por muitos e indesejado por tantos outros como Casanova, Maria Antonieta, ou a imperatriz russa Catarina a Grande. Envolvido em inúmeras polémicas como a história do colar de diamantes, na corte francesa de Maria Antonieta, que o levou a passar uma temporada na Bastilha, Cagliostro ficou marcado como mito, charlatão ou clarividente, digno de incredulidade ou admiração, continuando até hoje como um mistério.
    Associado à maçonaria, aos Illuminati, aos Templários, sobre ele se escreveu muita coisa. Alexandre Dumas escreveu um romance em dez volumes, Alexandre Dumas filho escreveu uma peça e Orson Welles interpretou Cagliostro no cinema.

    No livro:
    "Cada cidade italiana tem o seu santo protector. (...) Que figura poderia personificar a capital siciliana, ser o arquétipo desse "palermitanismo" que tornou a cidade famosa? A escolha mais óbvia é a do charlatão, impostor, alquimista, falsário, sedutor e burlão do século XVIII que se fazia chamar Conde Cagliostro".

    Vicenzo Salerno

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    quarta-feira, outubro 03, 2007

    Os comedores de pérolas


    Os Comedores de Pérolas - João Aguiar

    Sinopse:
    Jornalista de profissão e escritor nas horas vagas, Adriano descobre-se, de repente, na meia-idade. A vida não passa de um jogo extremamente cruel e ele dá consigo "sentado à beira da água opaca, a fumar o cachimbo e a morder um caule de erva que sabia a fénico"… O resultado do choque é um suicídio frustrado e uma fuga, sem esperança para Macau.
    Em Macau, descobre um passado de que nunca suspeitara e descobre também a angústia sorridente da próxima reintegração na China. Mas a "pérola do Oriente" reserva-lhe uma outra surpresa: mergulhado brutalmente numa intriga que já fez vários mortos, Adriano é obrigado a esquecer as reflexões pessimistas sobre a vida e o mundo, para ceder ao instinto primitivo de lutar pela sua sobrevivência.

    Comentário:
    "Os comedores de pérolas" faz parte de uma trilogia do autor (juntamente com "Dragão de Fumo" e "A Catedral Verde") sobre Macau.
    O livro partindo de uma espécie de intriga policial, acaba por focar o papel da China e de Portugal em relação a Macau, deixando no ar a despedida que se avizinhava em 1999.
    Após uma administração que durou 442 anos, a Cidade do Santo Nome de Deus de Macau, Não Há Outra Mais Leal (nome dado pela administração portuguesa) passou para as mãos da China e o autor vai-nos dando algumas amostras das transformações e influências ocorridas, de parte a parte.
    Numa escrita sempre bem humorada e irónica João Aguiar volta a surpreender-me, e a confirmar a opinião que sempre vou tendo cada vez que leio um livro seu. Para mim é dos melhores escritores portugueses, ou pelo menos dos mais interessantes e simples, longe das pretensões de muitos outros.


    "Ter passado do Nada para o Talvez é o que levo comigo.
    Não é uma fé que satisfaça o padre Frazão. Mas já é alguma coisa.
    Não será em vão que, por enquanto, esta ainda é a Cidade do Nome de Deus."

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    quinta-feira, setembro 27, 2007

    Memorial do Convento


    Publicado em 1982, o Memorial do Convento, de José Saramago, narra o período de construção de um Convento, em Mafra, em cumprimento de promessa feita pelo rei D. João V. Concomitantemente, é narrada a construção de uma passarola, sonho do padre Bartolomeu com os auspícios do rei, mas perigosamente à margem do Santo Ofício. O padre é ajudado pelo casal Baltasar / Blimunda.

    "Prometo, pela minha palavra real, que farei construir um convento de franciscanos na vila de Mafra se a rainha me der um filho no prazo de um ano a contar deste dia em que estamos…"

    "Lembras-te da primeira vez que dormiste comigo, teres dito que te olhei por dentro, Lembro-me, Não sabias o que estavas a dizer, nem soubeste o que estavas a ouvir quando eu te disse que nunca te olharia por dentro. (...) Eu posso olhar por dentro das pessoas.
    (...) mas só vejo quando estou em jejum, perco o dom quando muda o quarto da lua, mas volta logo a seguir, quem me dera que o não tivesse"

    "Aquele que ali vem é o padre Bartolomeu Lourenço, a quem chamam o Voador"
    "Tenho sido a risada da corte e dos poetas, um deles, Tomás Pinto Brandão, chamou ao meu invento coisa de vento que se há-de acabar cedo, se não fosse a protecção de el-rei não sei o que seria de mim, mas el-rei acreditou na minha máquina"


    Comentário:
    Apraz-me apenas dizer que: primeiro estranha-se, depois entranha-se...

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    sábado, setembro 01, 2007

    A Interpretação do Crime- Jed Rubenfeld

    Sinopse:
    Em 1909, o célebre psicanalista vienense Sigmund Freud desembarca em Nova Iorque.
    Ao mesmo tempo, num sumptuoso apartamento na cidade, uma jovem é encontrada enforcada num lustre. No dia seguinte, outra jovem, Nora Acton, consegue escapar ao assassino, mas a histeria que desenvolve não lhe permite recordar-se do sucedido. O doutor Younger, o mais eminente psicanalista freudiano dos E.U.A., irá analisá-la sob a orientação do Mestre, e a pouco e pouco a complexa história familiar da rapariga vai sendo revelada.

    Comentário:
    Um livro policial com uma escrita fácil, para uma leitura leve e descontraída, mas que nos prende até à última página.
    Entre personagens ficcionadas encontramos no livro Freud, Jung, Ferenczi e Brill, ou seja, personagens reais, psicanalistas conceituados e vamos sabendo algumas coisas a propósito de psicanálise entre outras curiosidades interessantes, sobre a vida em Nova Iorque no início do século XX e sobre a obra "Hamlet" de Shakespeare .

    Excerto:
    "A felicidade não tem segredos.
    Os homens infelizes parecem-se todos. Algum desgosto há muito sofrido, um desejo negado, um golpe no orgulho, uma reluzente centelha de amor extinta pelo desprezo - ou pior, pela indiferença -, agarram-se a eles, ou o inverso, e, com isso, esses homens vivem envoltos no manto dos dias passados. O homem feliz não olha para trás. não olha para a frente. Vive no presente.
    É aqui, porém, que reside a dificuldade. Há algo que o presente nunca pode dar: sentido. Os caminhos da felicidade e do sentido não são iguais."

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    segunda-feira, julho 23, 2007

    Além - J. K. Huysmans


    Sinopse:

    Em 1891, Além foi considerada uma obra audaciosa e multiplicou-se na tiragem até às dezenas de milhares. Huysmans concentrou temas de várias frentes neste romance, todos a maior ou menor distância de uma mesma luta: a que confronta dois poderes, do Bem e do Mal, a que opõe desde a Idade Média a igreja de Roma e o seu reverso satânico.
    Há, como ilustração de tudo isto, a história de Gilles de Rais, monstruoso pedófilo dos tempos de Joana d'Arc, a história da promiscuidade das mais altas figuras da Igreja com os praticantes da magia, o relato de uma missa negra em Paris, uma aventura em lençóis um tanto frios mas sem o véu de nenhum disfarce sobre a sua sexualidade malsã.

    Comentário:

    Um livro que por entre a ficção, que contorna e discute a eterna luta entre o BEM e o MAL, vai relatando a história e todo o processo de Gilles de Rais, um dos "monstros" da história, atroz, cruel, orgulhoso e profundamente inteligente, ao mesmo nível de Erzsébet Báthory e Vlad o Empalador ("Nasci sob uma estrela tal, que ninguém no mundo fez, ou poderá um dia vir a fazer, o que eu fiz").
    Diria desta forma que temos uma base histórica interessante que nos dá a conhecer a figura do Marechal Gilles de Rais e, por outro lado, uma não menos interessante dissertação ao longo de todo o livro, entre as personagens ficcionadas, a propósito dessa eterna luta, que se envolve numa neblina de misticismo.
    Alquimia, satanismo, missas brancas e missas negras, astrologia, o poder do toque dos sinos, das pedras preciosas, os símbolos, a Idade Média e a Idade Moderna, Deus e o Demónio, o Messias e o Anticristo tudo se conjuga em longos diálogos, de facto dissertativos, com inúmeras referências, que dão a esta obra um carácter de originalidade e excepção.
    "No Além tudo se toca."

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    sábado, julho 07, 2007







    Irei cuspir-vos nos túmulos (J'irai cracher sur vos tombes (1946)- Boris Vian (sob o pseudónimo de Vernon Sullivan)

    Boris Vian (Ville-d'Avray, 10 de Março de 1920 — Paris, 23 de Junho de 1959)



    Comentário:
    Este foi o primeiro (e único até agora) livro de Vernon Sullivan que li. Ou seja, já tinha lido Boris Vian, escritor que aprecio, e tinha alguma curiosidade em ler alguma das suas obras sob o seu pseudónimo. A verdade é que, tal como em Pessoa encontramos profundas diferenças entre os seus heterónimos, em Boris Vian e Vernon Sulllivan encontramos também algumas diferenças consideráveis. Vernon Sullivan parece-me mais realista, mais cru, mais explícito.
    Este "irei cuspir-vos nos túmulos" é um livro de alguma violência, sofreu inclusivamente a censura que o retirou do mercado americano na época, considerando o livro excessivamente realista.
    A história foca o racismo, reunindo o preconceito constante entre as classes, e o efeito que este pode ter naqueles que são vítimas deste racismo, desta marginalização. Toda a história parece evoluir num crescendo e precipitar-se para um único objectivo, a vingança, a vingança em nome de uma vítima, a vingança em nome dos estigmatizados pela cor, pela classe.
    Violento, realista, ou sádico, não deixa de ser uma obra a ler, com uma escrita tão acessível que facilmente se termina a leitura.

    Excerto do livro:
    "Ela deitou-se no chão; possuí-a ali, imediatamente, mas sem me deixar ir até ao fim. Procurei acalmar-me, apesar dos meus malditos movimentos de rins; consegui fazê-la gozar antes de eu próprio gozar alguma coisa. Nessa altura, falei-lhe:
    - Faz-lhe sempre assim tanto efeito ir para a cama com homens de cor?
    Ela não respondeu nada. Estava completamente aturdida.
    - Porque, pela parte que me toca, tenho mais de um oitavo de sangue negro.
    Ela tornou a abrir os olhos e eu trocei. Ela não compreendia. Então contei-lhe tudo..."

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    quinta-feira, junho 21, 2007

    Ler Mishima


    Yukio Mishima (三島由紀夫 Mishima Yukio) é o nome artístico utilizado por Kimitake Hiraoka (平岡公威 Hiraoka Kimitake), novelista e dramaturgo japonês mundialmente conhecido por romances como "O Templo do Pavilhão Dourado" (金閣寺 Kinkaku-ji) e "Cores Proibidas" (禁色 Kinjiki). Escreveu mais de 40 novelas, poemas, ensaios e peças modernas de teatro Kabuki e Nô.


    Morte em pleno Verão - Três contos profundos, de uma violência arrepiante. Mishima é um verdadeiro mestre em realidades que se referem à solidão, ao abandono, ao amor incondicional, sobretudo verdades cruas, vidas difíceis, sentimentos contrastantes.

    "Não foi por cansaço que o tenente finalmente se separou de Reiko. Por um lado, não queria enfraquecer a considerável energia de que necessitava para executar o suicídio. Por outro, não teria gostado de corromper pela saciedade a doçura desses últimos abraços. Ao ver que o tenente se detinha, Reiko seguiu-lhe o exemplo com a docilidade habitual. Nus, estendidos de costas, com os dedos das mãos enlaçados, olhavam fixamente o tecto sombrio."

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    domingo, junho 03, 2007

    Fragmentos de um discurso amoroso














    Fragmentos de Um Discurso Amoroso: Dois poderosos mitos fizeram-nos acreditar que o amor devia sublimar-se em criação estética: o mito socrático (amar serve para criar uma multidão de belos e magníficos discursos) e o mito romântico (produzirei uma obra imortal escrevendo a minha paixão).R.B.

    "Cruzo-me, ao longo da minha vida, com milhares de corpos; desses milhares posso desejar umas centenas; mas, dessas centenas, não amo senão um. O outro por quem estou apaixonado mostra-me a especialidade do meu desejo.
    (…) Foram precisos muitos acasos, muitas coincidências surpreendentes (e talvez muitas tentativas), para que eu encontrasse a imagem que, entre mil, convém ao meu desejo. Aí está um enigma cuja solução jamais conhecerei: por que razão desejo eu aquele Tal?"



    Comentário: Uma obra interessante que contempla o discurso amoroso criando pontes entre diversas referências literárias. O amor e o seu discurso analisados de forma filosófica, mas por vezes prática, atravessando as variadas etapas pelas quais qualquer um de nós, Werther’s apaixonados, passa.

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    terça-feira, abril 17, 2007

    Leitura de férias


    A Troca - David Lodge









    Sinopse:
    A Universidade do Estado de Euforia, nos Estados Unidos, uma selva de vidro e betão, e a Universidade de Remexe, na Grã-Bretanha, velha e de tijolo, têm um programa de intercâmbio anual dos seus docentes. Normalmente, as trocas ocorrem sem qualquer história digna de registo.
    Mas quando o Professor Philip Swallow troca de lugar com o Professor Morris Zapp, os dois académicos vêem-se apanhados num verdadeiro turbilhão, a que ninguém fica imune: estudantes, colegas, mesmo as próprias mulheres, todos são trocados à medida que a tensão cresce.

    Críticas:

    "De longe o mais divertido romance do ano..." — Daily Mail

    "Nunca, desde Lucky Jim, encontrei livro mais engraçado sobre a vida académica." — Sunday Times

    Comentário:
    David Lodge, numa escrita simples e bem humorada, apresenta-nos as aventuras e desventuras destes dois professores, que "trocaram" de Universidade e, consequentemente, de país. Mas a troca não se resume apenas ao que citei, alonga-se a "outras trocas", de forma irónica e sarcástica.
    O livro ideal para levar para férias...

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    segunda-feira, março 19, 2007

    A Família


    A Família

    Autor: Mario Puzo (Com a colaboração de Carol Gino)

    Editora: Dom Quixote

    Colecção: Ficção Universal



    Sinopse:
    Estamos no renascimento, a Peste Negra abala a Europa, mas nas cidades as artes, as letras e a ciência conhecem um novo esplendor.
    Em Roma, Alexandre VI, Rodrigo Bórgia, assume o papado, e com ele chega uma nova e faustosa etapa no poder papal.
    O retrato de uma família (o Papa Bórgia e os seus filhos César, João, Lucrécia e Godofredo) que conquistou o mundo, mas que pagou um alto preço por isso.

    Comentário:
    Publicado postumamente, A Família, teve a colaboração da assistente e companheira de Mario Puzo, Carol Gino, que terminou a obra que Puzo lhe deixou antes de morrer.
    A obra é o retrato de uma das famílias mais importantes e carismáticas italianas, considerada a primeira família que deu origem à Máfia.
    Um retrato forte (como só podia ser relacionando-se com os Bórgia) daqueles que deixaram uma marca na História, de ambição, poder, crueldade e decadência, mas também de profunda inteligência e união familiar.
    Epicentro da força da igreja, numa época recheada de corrupção e exacerbado fausto e ostentação, os Bórgia são ainda hoje personagens reais de histórias, algumas verdade outras, quem sabe, ficção, que povoam o nosso imaginário, desde o incesto, ao fratricídio, da tortura ao homicídio.
    Uma obra bem escrita, absolutamente genial.

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    terça-feira, janeiro 23, 2007

    A sombra do vento



    A Sombra do Vento
    Autor: Carlos Ruiz Zafón
    Editor: Publicações D. Quixote
    Colecção: Ficção Universal
    Nº Páginas: 400






    Sinopse:
    Numa manhã de 1945, um rapaz é conduzido pelo pai a um lugar misterioso, oculto no coração da cidade velha: "o Cemitério dos Livros Esquecidos". Aí, Daniel Sempere encontra um livro maldito que muda o rumo da sua vida e o arrasta para um labirinto de intrigas e segredos enterrados na alma obscura de Barcelona.

    Comentário:
    Esta foi a minha primeira leitura de 2007… uma prenda de Natal oferecida pela minha grande amiga Judith, à qual agradeço ter-me proporcionado belos momentos com a leitura deste livro.
    Este é um daqueles livros que quando começado, não nos dá descanso até o terminarmos, é daqueles livros que têm o poder de nos transportar para dentro das páginas e esquecer tudo à nossa volta.
    "A sombra do vento" é uma verdadeira surpresa, com uma escrita fluida mas carregada de poesia, pleno de emoções, que nos faz rir (principalmente com o grande Fermín Romero de Torres) e nos faz chorar pelos encontros e desencontros das personagens, unidas por um elo mais forte que a própria vida. Todas as personagens têm uma força que as leva a continuar a viver nas páginas, mesmo depois de mortas.
    A forma como a narrativa se constrói e a forma como nos é descrita permanece. Quando fechei o livro fiquei com o coração cheio e com a cabeça inundada de frases e passagens que persistem, por outro lado fiquei com aquela melancolia de quando acabamos AQUELE livro que nos consumiu e nos levou aos territórios especiais que só a literatura possui.

    Passagens do livro:
    "Cada livro, cada volume que vês, tem alma. A alma de quem o escreveu e a alma dos que o leram e viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro muda de mãos, cada vez que alguém desliza o olhar pelas suas páginas, o seu espírito cresce e torna-se forte."

    "Poucas coisas marcam tanto um leitor como o primeiro livro que realmente abre caminho até ao seu coração."

    "Alguém disse uma vez que no momento em que paramos a pensar se gostamos de alguém, já deixamos de gostar dessa pessoa para sempre."

    "Enquanto nos recordam, continuamos vivos."

    "Vestia de marfim e trazia o mundo no olhar. Mal me lembro das palavras do padre, nem dos rostos perdidos de esperança dos convidados que enchiam a igreja naquela manhã de Março. Permanece apenas em mim o roçagar dos seus lábios e, ao entreabrir os olhos, o juramento secreto que trazia na pele e que recordaria todos os dias da minha vida."

    "Bea diz que a arte de ler está a morrer muito lentamente, que é um ritual íntimo, que um livro é um espelho e que só podemos encontrar nele o que já temos dentro, que ao ler aplicamos a mente e a alma, e que estes são bens cada dia mais escassos."

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    quinta-feira, janeiro 04, 2007

    Última leitura em 2006

    O post vem em atraso, mas enfim, esta foi a minha última leitura de 2006. Um livro de contos, de uma singeleza própria de Sophia.



    Contos Exemplares - Sophia de Mello Breyner Andresen, 1962.

    O seu nome faz uma referência directa, explícita numa citação no início do livro, às Novelas exemplares de Miguel de Cervantes ("é-lhes dado o nome de exemplares, e se virdes bem, não há nenhum do qual não se possa retirar um exemplo").


    (...)"De facto, para conquistar todo o sucesso e todos os gloriosos bens que possui, Mónica teve que renunciar a três coisas: à poesia, ao amor e à santidade.
    A poesia é oferecida a cada pessoa só uma vez e o efeito da negação é irreversível. O amor é oferecido raramente e aquele que o nega algumas vezes depois não o encontra mais. Mas a santidade é oferecida a cada pessoa de novo cada dia, e por isso aqueles que renunciam à santidade são obrigados a repetir a negação todos os dias."(..)

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    quinta-feira, dezembro 21, 2006

    Contos Apátridas


    "Contos Apátridas"
    Bernardo Atxaga, José Manuel Fajardo, Santiago Gamboa, Antonio Sarabia, Luis Sepúlveda







    Sinopse:Cinco histórias radicalmente distintas, escritas a partir de uma mesma premissa: a universalidade do território da ficção, para lá das diferenças nacionais e idiomáticas. Foi esse o propósito que reuniu neste livro os espanhóis Bernardo Atxaga e José Manuel Fajardo, o colombiano Santiago Gamboa, o mexicano Antonio Sarabia e o chileno Luis Sepúlveda.
    Cinco histórias que renunciam às pátrias tradicionais, para criar as novas pátrias da liberdade e da imaginação.

    Comentário:
    Cheguei a um dilema... qual o melhor conto? Não há resposta!!! Este livro é sem dúvida de grande qualidade.
    De entre os autores, apenas tinha lido Sepúlveda, agora que finalizei o livro fiquei curiosa em conhecer mais sobre os outros.
    São mestres do conto, sem dúvida, o que me leva a crer que serão mestres da literatura.
    O universo em que embarcamos ao lê-lo é peculiar e indescritível.
    A escrita de qualquer um deles flui e sem esperarmos o livro chegou ao fim.

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    quarta-feira, novembro 29, 2006

    David Mourão-Ferreira


















    Teoria das marés

    Calidamente nua,
    sob o vestido leve,
    tua carne flutua
    no desejo que teve.

    Timidamente nua,
    revelas, num olhar,
    em minhas mãos, a lua
    que te fez oscilar.

    Encontro

    O teu mistério decifrei-o
    numa pupila cega:
    fechado e aberto como um seio
    que pela noite se me entrega.

    A luz, se vinha, não descia
    do coração nem dos sentidos:
    mas concentrava a extática alegria
    de nos sentirmos confundidos.










    Soneto do cativo

    Se é sem dúvida Amor esta explosão
    de tantas sensações contraditórias;
    a sórdida mistura das memórias,
    tão longe da verdade e da invenção;

    o espelho deformante; a profusão
    de frases insensatas, incensórias;
    a cúmplice partilha nas histórias
    do que os outros dirão ou não dirão;

    se é sem dúvida Amor a cobardia
    de buscar nos lençóis a mais sombria
    razão de encantamento e de desprezo;

    não há dúvida, Amor, que te não fujo
    e que, por ti, tão cego, surdo e sujo,
    tenho vivido eternamente preso.

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    segunda-feira, novembro 20, 2006

    A ilha desconhecida



    O Conto da Ilha Desconhecida
    Autor: José Saramago






    Leve, suave e agradável...

    "Se não sais de ti, não chegas a saber quem és."

    "As pessoas enganam-se nos sentidos do olhar, sobretudo ao princípio."

    "Pela hora do meio-dia, com a maré, a Ilha Desconhecida fez-se enfim ao mar, à procura de si mesma."

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